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Campeonato Mineiro - Cruzeiro :: Voltar

HISTÓRIA

O Cruzeiro surgiu no início da década de 20 por iniciativa de membros da colônia italiana de Belo Horizonte, que tinham o interesse de formar uma agremiação que representasse o país europeu. Quando o cônsul italiano foi à cidade em 1920, os interessados o procuraram e acabaram fundando a Societá Sportiva Palestra Itália.

A nova agremiação vestiria as cores da bandeira italiana (e não o tradicional azul), e só aceitaria europeus de origem em suas escalações. Com essas regras, o clube iniciou sua vida esportiva. Logo no segundo ano de sua história, o Palestra Itália já foi à decisão do Campeonato da Cidade de Belo Horizonte. Contra o poderoso América-MG, que estava em vias de conquistar o decacampeonato, acabou sendo derrotado.

Era o prenúncio de uma história de glórias. Logo em 1928, veio a primeira delas. Com Niginho como principal destaque, o Palestra Itália foi tricampeão pela primeira vez, de 1928 a 1930. Foi, porém, apenas uma fase.

Sem estrutura, torcida ou tradição, o clube ficou os anos 30 atrás dos tradicionais Atlético e América e do ascendente Vila Nova, que venceu a competição quatro vezes naquele período. Apesar de permanecer entre os melhores, o Palestra Itália poucas vezes chegava a brigar por títulos.

No início da década de 40, a equipe ainda passou por um duro golpe. Quando o Brasil entrou de vez na Segunda Guerra Mundial contra os países do Eixo, o governo Vargas proibiu qualquer tipo de manifestação favorável de equipes à Alemanha e à Itália. Ciente do problema que poderia ter com o Estado, o presidente do clube resolveu mudar o nome da agremiação para Ypiranga, sem sequer consultar o Conselho.

Insatisfeitos com as mudanças, os outros cartolas reviram a alteração, decidindo por Cruzeiro Esporte Clube. Além disso, também adotaram o azul-celeste como cor principal, em detrimento do verde anterior. Já com a nova nomenclatura, a agremiação conseguiu, em campo, seus primeiros triunfos. Venceu, entre 1943 e 1945, o Campeonato da Cidade, aumentando a expectativa dos dirigentes em relação ao futuro da equipe.

Empolgados, os dirigentes investiram. Reformaram seu estádio, com direito a mudança de nome para Juscelino Kubitschek, então governador mineiro, e acabaram colocando o clube em caótica situação financeira. O resultado foi a queda brusca de produção da equipe, que passou os anos 50 quase no amadorismo, fazendo incursões pelo interior para tentar ganhar dinheiro.

O alívio veio com a construção da sede social em Barro Preto, que gerou mais recursos ao caixa do clube. Assim, o Cruzeiro conseguiu montar um time com mais qualidade, para que pudesse, enfim, brigar por conquistas. Elas vieram no fim dos anos 1950, com o tricampeonato mineiro entre 1959 e 1961.

Aquele grupo, com Elmo, Procópio e Rossi, era apenas um prenúncio de toda a glória que viria a seguir. Depois de quase 50 anos atrás de seus principais rivais em termos de conquistas, o Cruzeiro conseguiria, enfim, um lugar entre os maiores do futebol nacional. A partir da construção do Mineirão, em 1965, o time celeste passou a dominar o futebol do Estado, sendo o maior vencedor desde então.

Mais que isso, a equipe que foi formada logo na seqüência surpreenderia a todos. Com Dirceu Lopes, Piazza, Natal e, principalmente, Tostão, o Cruzeiro foi à final da Taça Brasil para enfrentar o poderoso Santos. Pentacampeão, o time de Pelé vinha com a certeza de mais uma conquista.

Os mineiros, no entanto, surpreenderam a equipe da Vila Belmiro. Venceram por inacreditáveis 6 a 2 no Mineirão, com show de Tostão e Dirceu Lopes. Em São Paulo, foram para o intervalo com 2 a 0 a favor dos santistas, o que forçaria um terceiro confronto em campo neutro, segundo o regulamento. Só que o Cruzeiro foi mais forte, e virou para 3 a 2 com Tostão, Dirceu Lopes e Natal.

O resultado foi fundamental para toda a história do clube e também daqueles jogadores. Tostão, por exemplo, foi à Copa de 1966 e começou a garantir seu lugar na equipe campeã do mundo em 1970, no México. O sucesso do Cruzeiro foi também um dos principais motivos da criação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, uma ampliação do Rio-São Paulo, que contava com clubes de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Anos depois, ele seria transformado no atual Campeonato Brasileiro.

No seu próprio Estado, o clube celeste também conseguiu atestar a hegemonia. Foi pentacampeão estadual de 1965 a 1969, a maior seqüência de conquistas que obtivera até então.

No início dos anos 70, a grande geração sofria algumas mudanças naturais em decorrência da maturidade dos primeiros campeões. Tostão e Natal, por exemplo, deixaram o clube. Em contrapartida, surgiram Nelinho e Joãozinho, que ajudariam a elevar o nível do Cruzeiro. Com Minas Gerais dominada (a geração ainda seria tetra entre 1972 e 1975), o time partiu novamente para o âmbito nacional.

Foi à final do Brasileiro pela primeira vez em 1974, mas acabou perdendo o troféu para o Vasco de Roberto Dinamite em decisão conturbada. Os dois times terminaram o quadrangular final empatados e, segundo o regulamento, deveriam disputar um jogo extra para decidir o campeão. Melhor na somatória das fases, o Cruzeiro deveria sediar a partida, mas, alegando falta de segurança no Mineirão, os vascaínos levaram o confronto para o Rio de Janeiro e venceram por 2 a 1.

No ano seguinte, mais um fracasso. Dessa vez, porém, o Internacional mais técnico levou vantagem sobre o Cruzeiro, que se vingaria no ano seguinte. Vice, foi à Libertadores e conseguiu o maior título de sua história até então. Foi campeão da América, tendo superado os gaúchos no caminho em confronto memorável. Pela primeira fase, ganhou por 5 a 4 em casa, naquele que é considerado um dos melhores jogos do Mineirão em todos os tempos.

Na final, derrotaria o argentino River Plate no jogo extra em campo neutro, realizado no Chile. O herói do jogo foi Joãozinho, autor do gol de falta aos 44min do segundo tempo que garantiu a conquista. No Japão, no fim do ano, o Cruzeiro se vê sem chances contra o Bayern de Munique, da Alemanha, de Müller, Rummeniege, Maier e Beckenbauer, e perde o Mundial Interclubes.

Depois das conquistas, a geração que começara vitoriosa nos anos 60 acabou decaindo. Sem dinheiro, o Cruzeiro passou a vender seus craques com freqüência e deixou de disputar títulos. Na década de 80, por exemplo, venceu apenas dois Mineiros (1984 e 1987).

Com mais dinheiro no seu cofre, o time celeste cresceu nos anos 90. Com ampliação de estrutura e um trabalho mais profissional, o Cruzeiro se tornou um dos maiores vencedores do futebol brasileiro. Durante 15 anos, conquistou ao menos um título por temporada.

Os primeiros internacionais vieram logo. Em 1991 e 1992, venceu duas Supercopas da Libertadores. No ano seguinte, levou a taça da Copa do Brasil pela primeira vez na história, ao superar o Grêmio na decisão. Naquela equipe, destacavam-se Nonato, Éder e Antônio Boiadeiro.

Uma vez na Libertadores, o Cruzeiro começou a pensar mais alto. Contratou promessas como Dida, Palhinha e Marcelo Ramos. Com essa base, foi novamente campeão da Copa do Brasil em 1996, em final disputada contra o Palmeiras.

Com um time experiente, passou pelo copeiro Grêmio na Libertadores de 1997 e foi à final contra os peruanos do Sporting Cristal. Na final, no Mineirão, ganhou graças à Elivélton, que garantiu a taça em um poderoso chute de fora da área. Garantida no Japão no fim de ano para buscar o único título que não tinha, a Raposa trouxe a curto prazo nomes como Bebeto e Gonçalves, que não resolveram e apenas participaram da derrota por 2 a 0 para o Borussia Dortmund.

Sem o tão sonhado título, o Cruzeiro voltou à estaca zero. Por um tempo, viveu apenas de conquistas regionais, como as Copas Sul-Minas de 2001 e 2002 e de boas campanhas, como o terceiro lugar da Copa João Havelange em 2000, todas com o argentino Sorín como principal artífice.

O auge no século 21, porém, veio em 2003, em um dos melhores anos que um clube de futebol poderia ter. Com Deivid e Aristizábal comandados por Alex em campo e Vanderlei Luxemburgo no banco de reservas, o Cruzeiro foi implacável ao conquistar o Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileiro, suplantando equipes como o Santos, de Diego e Robinho.

No ano seguinte, não conseguiu sucesso na Libertadores muito por causa da saída de Vanderlei Luxemburgo. O Cruzeiro, então, perderia mais uma vez seus principais destaques. Saíram Maldonado, Alex, Deivid, Aristizábal, Maurinho, entre outros. Em 2004, Fred surgiu como possibilidade de renovação, mas também logo foi vendido.

Em campo, destaque apenas para a campanha no Nacional de 2007. Com um time mediano, Dorival Júnior chegou a colocar a Raposa na briga pelo título, mas acabou levando a equipe à Libertadores mais uma vez.


GRANDES ÍDOLOS

Os primeiros grandes momentos da história do Cruzeiro foram no fim da década de 1920, ainda como Palestra Itália, anos depois de sua fundação. Entre 1928 e 1930, o time conseguiu o tricampeonato da cidade de Belo Horizonte (equivalente a um Mineiro).

Naquele momento, o grande craque do time era o atacante Niginho. Descendente de italianos, defendeu o clube em três passagens diferentes. Na primeira, entre 1929 e 1932, venceu o citado tri mineiro. Na segunda, em 1935 e 1936, nada pôde fazer diante da supremacia dos grandes de então.

Na terceira, porém, já em fim de carreira, levou, de 1939 a 1947, o já Cruzeiro a três estaduais. Ao todo, foram 207 gols marcados, que o credenciam como terceiro maior artilheiro da história da Raposa.

Com a saída de Niginho e a crescente má situação financeira do clube, a década de 50 foi um desastre, salvo os últimos anos, que presenciaram o surgimento de uma das principais equipes brasileiras de todos os tempos. O Cruzeiro foi tricampeão mineiro entre 1959 e 1961, com grande destaque para o zagueiro Procópio, considerado até hoje um dos melhores que já vestiram a camisa do clube.

Ele seria um dos poucos do time de sucesso estadual que ficariam para os títulos seguintes. Com o reforço de Dirceu Lopes, Tostão, Palhinha, Natal e Piazza, entre outros, o Cruzeiro cresceu de produção. Esses craques escreveriam uma das páginas mais importantes do clube.

Em 1966, na final da Taça Brasil, contra o poderoso Santos de Pelé, Tostão e companhia deram show com a camisa celeste, derrotando a equipe da Vila Belmiro por 6 a 2 no Mineirão e 3 a 2 em São Paulo. Os confrontos serviram, inclusive, para o sucesso individual desses atletas.

O melhor deles foi, disparado, Tostão. O craque foi à Copa de 1966, jogando mal, assim com todos da seleção. Quatro anos depois, seria campeão mundial no México ao lado de Piazza e Fontana, outros cruzeirenses que levantaram a Jules Rimet.

Sua presença, porém, quase foi comprometida por uma fatalidade ocorrida um ano antes. Em partida contra o Corinthians, Tostão levou uma bolada acidental do zagueiro Ditão, que gerou um descolamento de rotina. Teve, então, de passar por cirurgias para voltar ao futebol. Recuperou-se e foi bem no Mundial. Três anos depois, porém, voltou a sentir o problema quando estava no Vasco e teve de deixar o esporte.

Enquanto isso, o Cruzeiro continuava crescendo. Já tinha Raul Plasmann no gol, Nelinho e Perfumo na defesa e Joãozinho no ataque. O primeiro destacou-se por quebrar a escrita de camisas negras no gol celeste, usando uma amarela. O segundo ficou famoso pelo chute forte, tendo chegado a mandar a bola para fora do Mineirão certa vez, em brincadeira proposta por um programa de televisão.

Perfumo, argentino, foi o grande líder da retaguarda que seria campeã da Libertadores pouco depois. Já Joãozinho era o gênio, o herói que garantiu a referida taça de 1976 para o Cruzeiro, ao acertar uma cobrança de falta aos 44 minutos do segundo tempo do jogo decisivo da final contra o River Plate e garantir o troféu.

Esses nomes, que tanto ouviram a cantada superioridade do Atlético campeão brasileiro de 1971, devolveram o orgulho ao torcedor do Cruzeiro, que passou a ter um título inédito em Minas Gerais. Como não poderia deixar de ser, a fase grandiosa foi suplantada por um período duro.

Mais uma vez em dificuldades financeiras, a Raposa não venceu praticamente nada nos anos 80. A recuperação viria na década seguinte, quando, com a saúde econômica em bom estado, deu início a uma série de 15 anos com títulos, algo inédito no Brasil.

Os primeiros de grande importância foram as Supercopas da Libertadores em 1991 e 1992 e a Copa do Brasil de 1993. Curiosamente, o grande artífice desta última conquista foi o ex-atleticano Éder. Já em fim de carreira, ele foi um dos destaques da campanha, ao lado de Boiadeiro e Nonato.

De volta ao rol dos melhores, o Cruzeiro voltou a sonhar alto. Trouxe nomes como Dida, Marcelo Ramos e Palhinha, que se uniram ao prata da casa Ricardinho e à base de 1993. Sem sucesso na Libertadores a princípio, o time tentou a competição continental novamente pela Copa do Brasil, vencendo o Palmeiras na final. O herói da decisão foi Marcelo Ramos, que marcou o gol do título a poucos minutos do fim.

A glória maior viria novamente em 1997. Experiente, o Cruzeiro de Oscar Bernardi (depois Paulo Autuori) foi firme até a decisão contra o Sporting Cristal, do Peru. No segundo confronto, em Belo Horizonte, só garantiu a taça graças à Elivélton, que acertou chute de fora da área nos momentos finais.

Pela segunda vez no Japão, a Raposa foi mais uma vez ineficiente. Com atletas contratados em cima da hora como Bebeto e Gonçalves, caiu diante do Borussia Dortmund sem apresentar muita resistência. Era o fim de uma busca constante por conquistas internacionais, e começava, então, o momento de reabilitação.

Sem rumo, o time celeste se reorganizava. Com Felipão no comando, foi à semifinal da Copa João Havelange (o Campeonato Brasileiro de 2000) como a melhor campanha, mas perdeu para o campeão Vasco. Nos anos seguintes, venceu, sob o comando de um bravo Sorín em campo, duas Copas Sul-Minas.

O lateral argentino transformou-se em ídolo, mas não ficou tempo suficiente para partilhar a conquista da Tríplice Coroa, a maior do século 21. Com Vanderlei Luxemburgo no banco, Maldonado, Cris, Gomes, Deivid, Aristizábal e, principalmente, Alex, o Cruzeiro venceu tudo em 2003.

Foi campeão com sobra no Mineiro e na Copa do Brasil. Na última, viu Alex acabar com o Flamengo com um gol de letra. No Brasileiro, domínio total, mais de cem pontos ganhos e a vitória sobre a sensação Santos, de Diego e Robinho.

Por conflitos internos, a fase não durou sequer mais um semestre. Sem Luxemburgo, a Raposa se desfez com a saída da Libertadores de 2004. Daí em diante, a diretoria passou a apostar na venda de jogadores. Dentre os que saíram, Fred e Wágner (que voltou) são os maiores destaques.


ARTILHEIROS

O maior artilheiro da história do Cruzeiro é o craque Tostão, que marcou, ao todo, 249 gols com a camisa celeste durante o período em que esteve no clube (1963 a 1972).

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