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Campeonato Carioca - Fluminense :: Voltar

HISTÓRIA

Oscar Cox, que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, organizou uma excursão a São Paulo com companheiros de um time de futebol que havia formado em 1901. Foi na viagem de volta para o Rio que ele e seus amigos tiveram a idéia de fundar um clube dedicado totalmente à prática do esporte.

Depois de alguns problemas burocráticos, no dia 21 de julho de 1902 o Fluminense Football Club foi fundado. Os primeiros dirigentes logo conseguiram um pedaço de terra no que hoje é o bairro de Laranjeiras, onde começaram a construção do estádio do clube. As cores da agremiação eram cinza e branco.

Em 1904, as cores do uniforme foram alteradas para as três que duram até hoje. Devido à dificuldade de encontrar roupas com a coloração antiga, dirigentes do Fluminense sugeriram a mudança para o verde, branco e grená.

Em 1905, por iniciativa do Tricolor carioca, criou-se a Liga Metropolitana de Football, uma organização fundada com o objetivo de dirigir o primeiro Campeonato Carioca da história, disputado em 1906. O time das Laranjeiras não tomou conhecimento dos adversários e ganhou as quatro primeiras edições do torneio, em 1906, 1907, 1908 e 1909.

Mas nem tudo foram flores no início glorioso da história do Fluminense. Em 1911, o time foi campeão estadual invicto, a quinta taça conquistada em seis anos. Mas, devido a uma crise interna relacionada com o controle da escalação da equipe, nove titulares do esquadrão vencedor de 1911 deixaram o clube. Eles fundaram o departamento de futebol do Flamengo, criando uma forte rivalidade.

O primeiro Fla-Flu foi disputado no dia 7 de julho de 1912, nas Laranjeiras. O Flamengo, então, disputava o título ponto a ponto com o Paissandu, que acabou se sagrando campeão posteriormente. O Fluminense só tinha como motivação o orgulho ferido pela saída de nove de seus atletas mais importantes. E isso bastou. Os tricolores venceram por 3 a 2, dando início a um dos clássicos mais tradicionais da história do futebol brasileiro.

Apesar da vitória no Fla-Flu, a década de 1910 não estava indo tão bem para o Fluminense. Mas, quando a glória viesse, viria em dobro. Ou melhor, em triplo! O primeiro tricampeonato do Flu aconteceu nos anos de 1917, 1918 e 1919. Comandado pelo lendário goleiro Marcos Carneiro e pelo inglês Welfare, os tricolores voltavam a ser hegemonia no Rio.

No meio da década de 30, os dirigentes do Fluminense foram a São Paulo buscar os melhores jogadores brasileiros da época, Batatais, Romeu e Hércules. Os reforços formaram um dos times mais fantásticos a vestir a camisa tricolor. Em 1937, chegou o atacante Tim, mais uma peça importante. E assim veio o segundo tricampeonato: 1936, 1937 e 1938.

Em 1940 e 1941, o Fluminense foi bicampeão estadual. Depois, cinco anos de jejum até o próximo título, em 1946. Desde os anos 20, o clube enviava ao Comitê Olímpico Internacional sua candidatura para concorrer à Taça Olímpica, honraria dada à instituição, clube ou comitê que mais contribuísse para a prática esportiva em um determinado ano. Em 1949, o Tricolor foi agraciado com este troféu.

Próximo de seu cinqüentenário, o Flu continuava colecionando glórias. Em 1951, foi campeão estadual, ganhando classificação para a II Copa Rio Internacional, torneio semelhante ao Mundial de Clubes organizado pela Fifa em 2000. Com vitórias memoráveis, como o 3 a 0 sobre o Peñarol, base da seleção uruguaia campeã do mundo em 1950, os tricolores se sagraram campeões. A final foi disputada contra o Corinthians.

Naquela equipe, fazia parte o lendário goleiro Castilho, tido como o melhor da posição na história do clube. Além dele, o zagueiro Pinheiro e o ponta-direita Telê Santana se tornaram grandes ídolos da torcida tricolor.

Em 1957 e 1960, o clube conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Em 1959, se sagrou campeão estadual depois de oito anos na fila. A década de 60 foi escassa de títulos para os tricolores. Apenas dois estaduais foram conquistados, em 1964 e 1969.

Um grande contraste com os anos que estavam por vir. Em 1970, o Fluminense desbancou adversários mais cotados, como o Cruzeiro de Tostão, e foi campeão da Taça de Prata, o principal campeonato nacional da época. Era tão semelhante ao Brasileirão que este surgiu no ano seguinte, em 1971.

No Campeonato Estadual, o Fluminense foi campeão de 1971 e 1973. Em 1975, o presidente recém-eleito, Francisco Horta, resolveu montar um time para encher os olhos do torcedor tricolor. Para começar, trouxe Rivelino para as Laranjeiras. Depois, ainda contratou Mário Sérgio, Paulo César Caju e Zé Mário. O esquadrão era tão formidável que a torcida pendurava faixas com as frases “Vencer ou vencer” e “Compre que a torcida garante”. Foi a época da Máquina Tricolor.

A Máquina foi desmontada em 1977. O Fluminense só voltou a ser campeão estadual em 1980, liderado pelo zagueiro Edinho, com uma vitória épica sobre o Vasco. Foi naquele campeonato que a torcida tricolor adotou o cântico “A benção João de Deus” como forma de motivar o time a superar momentos difíceis.

Em 1983, o Fluminense montou um time de desconhecidos. Para a surpresa dos adversários, os tricolores se sagraram campeões estaduais, com o histórico gol de Assis sobre o Flamengo no último minuto da partida final, quando os rubro-negros já comemoravam o título. Em 1984, repetiu o feito no Estadual, mais uma vez com Assis marcando sobre o maior rival. Por esses gols, o atacante recebeu o apelido de “Carrasco do Flamengo”.

Mas 1984 reservava glória ainda maior para o Fluminense: glória nacional. Comandado pelo craque paraguaio Romerito, contratado naquele ano, o time tricolor foi despachando seus adversários com um futebol compacto e eficiente. A equipe do técnico Carlos Alberto Parreira levantou o troféu depois de um empate por 0 a 0 com o Vasco, pois havia vencido o jogo de ida por 1 a 0, gol de Romerito.

Depois da conquista do Estadual de 1985, o último título desse time, o Fluminense viveu um jejum de nove anos. Foi Renato Gaúcho, em 1995, que tirou o clube da fila, em um dos mais sensacionais Fla-Flus de todos os tempos, vencido por 3 a 2 pelo Fluminense no ano do centenário do rival. O atacante marcou um gol de barriga aos 41 min do segundo tempo, dando o título para o clube.

Nos anos seguintes, a era mais negra da história tricolor. Em 1996, o clube foi rebaixado para a segunda divisão. Devido a um escândalo envolvendo compra de árbitros e manipulação de resultados, cujo pivô era o diretor da Comissão de Arbitragem na época, Ivens Mendes, o Fluminense foi reconduzido à Série A.

Mas a lição não foi aprendida e os mesmos erros continuaram a ser cometidos. O clube sofreu sua segunda queda seguida. Desta vez, caiu mesmo. Em 1998, o momento mais humilhante da história do Fluminense. O time foi rebaixado para a terceira divisão.

Em 1999, o presidente David Fischel investiu na recuperação do clube e trouxe de volta o técnico Carlos Alberto Parreira. Com o treinador, veio grande parte da comissão técnica campeã do mundo em 1994.

O investimento deu certo e, depois de campanhas fracas no Estadual, Rio-São Paulo e Copa do Brasil, o Fluminense foi campeão da Série C. O destaque daquele ano foi a torcida tricolor, que teve uma das dez maiores médias de público do Brasil disputando a terceira divisão nacional.

Os anos 2000 seriam bem melhores para o clube. O time se preparava para a disputa da Série B, mas a confusão do caso Sandro Hiroshi, protagonizado por Botafogo, São Paulo e Gama, acabou levando à criação da Copa João Havelange, organizada pelo Clube dos Treze. Assim, o Fluminense pulou uma etapa e voltou à elite do futebol nacional.

Os tricolores surpreenderam o Brasil e fizeram grande campanha, terminando em terceiro na fase de classificação. Apesar disso, um gol de falta marcado por Adhemar, do São Caetano, diante de 60 mil torcedores no Maracanã, deu fim ao sonho do Fluminense de conquistar o título.

Em 2001, o Flu chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro, mas foi eliminado pelo Atlético-PR, que seria o campeão. No ano seguinte, quando foi comemorado o centenário do clube, os tricolores foram campeões estaduais depois de sete anos. Além disso, chegaram mais uma vez às semifinais do Brasileiro, mas perderam para o Corinthians.

Em 2005, voltou a conquistar o Campeonato Estadual e chegou à final da Copa do Brasil, mas perdeu para o Paulista. Em 2006, mais uma fuga do rebaixamento. O susto levou os dirigentes do Fluminense a investirem na modernização do clube, em uma gestão mais profissional. E foi nestes moldes que a equipe conquistou seu primeiro título nacional em 23 anos.

Apesar de começar desacreditado, o time comandado pelo agora técnico Renato Gaúcho se superou e foi campeão do torneio com uma vitória por 1 a 0 sobre o Figueirense, em Florianópolis, com gol do zagueiro Roger. No Campeonato Brasileiro, fez sua melhor campanha desde a instituição dos pontos corridos, terminando em quarto lugar.


GRANDES ÍDOLOS

Considerado por muitos o melhor jogador da história do Fluminense, Rivelino foi contratado pelo presidente Francisco Horta em uma das negociações mais ousadas de que já se ouviu falar. Em 1975, o dirigente tricolor foi até São Paulo oferecer flores para a mulher do então jogador do Corinthians e conversar com o meia para convencê-lo a jogar nas Laranjeiras. Conseguiu. O craque era o principal jogador da Máquina Tricolor, time que encantou o Brasil em 1975 e 1976, sendo bicampeão estadual.

Mas ninguém mostrou mais dedicação ao Fluminense do que o goleiro Castilho. Ele chegou ao clube no fim da década de 40 para marcar seu nome na história tricolor. Era conhecido como “Leiteria”, gíria utilizada na época para designar pessoas com muita sorte. O ex-camisa 1 é o recordista em número de partidas disputadas com a camisa do clube, com 696 atuações.

Além disso, o atleta deu um dedo pelo clube: seu mindinho da mão esquerda. Quando seu médico disse que teria de passar dois meses tratando uma lesão, o atleta optou por uma amputação parcial para não ficar tanto tempo longe dos gramados. Na sede da agremiação, na rua Álvaro Chaves, existe um busto em homenagem ao goleiro, considerado o melhor da história do Fluminense. Faleceu em 2 de fevereiro de 1987, cometendo suicídio.

João Coelho Netto, mais conhecido como Preguinho, é uma lenda do Fluminense. Ele não era apenas um jogador de futebol, era uma atleta. Representando o clube, conquistou 387 medalhas e 55 títulos em nove modalidades, entre elas o futebol. Com a camisa tricolor, atuou 174 vezes e marcou 129 gols. Participou de um dos melhores times da história da equipe das Laranjeiras, os tricampeões de 1936, 1937 e 1938, e foi o autor do primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo, em 1930.

Outro grande craque desse time da década de 30 foi Tim. Ele chegou ao Fluminense em 1937, contratado da Portuguesa Santista. Participou das campanhas campeãs daquele ano e do seguinte. Foi o principal jogador tricolor enquanto atuou no clube. Em 1940 e 1941, conduziu a equipe ao bicampeonato. Tim jogou 226 vezes com a camisa tricolor e marcou 71 gols. Era conhecido como um dos melhores dribladores do futebol brasileiro. Depois de se aposentar, virou técnico e chegou a comandar o Fluminense, onde foi campeão estadual em 1964.

O atacante Hércules era quem formava a linha de frente do Fluminense do fim da década de 30, ao lado de Romeu e Tim. Tinha o apelido de “Dinamitador” devido à potência de seus chutes. Nas campanhas do tricampeonato, foi o artilheiro do time, com 56 gols.

Telê Santana ganhou sua maior fama como treinador, sendo bicampeão mundial pelo São Paulo. Mesmo assim, nunca escondeu de ninguém que sua verdadeira paixão era por outro tricolor, o do Rio. Segundo ele, sua maior emoção foi ter marcado os dois gols que deram o título estadual ao Fluminense em 1951, diante do Bangu. Quando jogava no clube, era conhecido como “Fio de Esperança” por sua entrega em campo e sua mania de nunca desistir, sem se importar com o quão adversa era a situação. Telê é o terceiro jogador a mais vezes ter vestido a camisa tricolor, com 556 jogos. Ele morreu em 21 de abril de 2006, aos 74 anos de idade.

O primeiro grande goleiro do Fluminense foi Marcos Carneiro de Mendonça, que começou a atuar pelo clube em 1914. Ele foi também o primeiro a defender as cores da seleção brasileira. Com a camisa tricolor, foi tricampeão estadual em 1917, 1918 e 1919. Posteriormente, chegou a ser presidente da instituição, durante o bicampeonato de 1940 e 1941.

Na mesma época em que teve seu primeiro grande goleiro, o Fluminense também encontrou em Welfare um grande goleador. O “tanque inglês”, como era chamado, tem uma das médias de gol mais impressionante da história do clube: em 166 jogos, marcou 163 vezes. Foi tricampeão estadual na década de 1910. No cinqüentenário da agremiação ele foi homenageado com uma medalha de ouro por 50 anos de serviço à equipe tricolor.

O maior craque da história do futebol paraguaio também marcou os torcedores do Fluminense que o viram jogar. O meia Romerito era conhecido por sua técnica refinada, vontade de vencer e precisão no passe. Ele chegou ao time das Laranjeiras em 1984, aos 23 anos, e foi campeão estadual de 1984 e 1985, além de ter feito o gol que deu o título brasileiro de 1984 ao Fluminense.

Na mesma época, os atacantes Assis e Washington formaram uma dupla de sucesso que ficou conhecida como “Casal 20”, devido ao grande entrosamento entre os dois jogadores. Com jogadas combinadas, ambos marcaram muitos gols e fizeram sucesso pelo Fluminense. Pelos gols contra o Flamengo nas finais do Campeonato Estadual de 1983 e 1984, Assis ficou conhecido como “Carrasco” dos rubro-negros.

Renato Gaúcho é, provavelmente, a figura mais importante da história recente do Fluminense. Chegou ao clube em 1995, desacreditado, e logo ganhou a torcida tricolor com sua dedicação em campo e técnica apurada. Ajudou também o grande aproveitamento do atacante contra o rival Flamengo, contra quem costumava marcar muitos gols. Na final do Estadual de 1995, marcou dois gols, sendo o segundo a lendária “barrigada” aos 41 min do segundo tempo, que deu o título ao time tricolor, tirando o clube de uma fila de nove anos. Como treinador, levou o Fluminense de volta à Copa Libertadores com a conquista da Copa do Brasil de 2007.

Atualmente, o maior ídolo da torcida do Fluminense é o zagueiro Thiago Silva. Uma peça fundamental na conquista da Copa do Brasil de 2007, primeiro título nacional do Fluminense em 23 anos, o jogador conquistou os tricolores com seu estilo de jogo sério, desarmes precisos e dedicação em campo. Uma curiosidade: o jogador se declara torcedor do clube e explicou como escolheu a equipe. Foi o gol de barriga de Renato Gaúcho, contra o Flamengo, em 1995, que transformou o então coração vascaíno de Thiago Silva em tricolor.


ARTILHEIROS

Waldo não era querido pela torcida tricolor por causa de sua técnica apurada, mas sim pela sua capacidade incrível de balançar as redes adversárias. O centroavante é o maior artilheiro da história do Fluminense, com 314 gols em 403 jogos. Com a camisa tricolor, foi campeão estadual de 1959 e do Torneio Rio-São Paulo em 1957 e 1960.

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